Review

Rock of Ages pretende, fundamentalmente, caricaturar Hollywood e as suas figuras-standard em finais dos anos 80, tomando como mote o cliché boy meets girl-girl meets boy. A terra dos sonhos é o destino de excelência para toda a espécie de aspirante a artista em busca de uma oportunidade, aqui focada num microcosmo deveras particular: a música, que fervilha de novidades, bem capazes de pôr seriamente em causa o lugar do pódio ocupado pelo rock.

Na luta pela sobrevivência, individual e artística, Sherrie (Julianne Hough), a típica small town girl, recém-chegada ao som dos Journey, conhece Drew (Diego Boneta), roqueiro pretendente à fama e empregado no mítico clube Bourbon Room, propriedade de Dennis Dupree (Alec Baldwin), um dos resistentes da Era do Rock, coadjuvado por Lonny (Russel Brand).

E com isto o cenário está montado, e o filme progride de canção em canção. Porque este filme é um musical. Por um lado, temos um romance de cordel que tenta conduzir o filme em marcha lenta, com alguns momentos musicais interessantes mas pouco emocionantes no letreiro de Hollywood; por outro, um saudosista falido, com um desenlace amoroso a lembrar Love acctually, mas muito menos consistente. E depois as histórias paralelas, com relevo questionável, parco desenvolvimento, sempre orientado para este núcleo, e verdadeiramente ligadas pela mesma substância, a música.  Mas são estas que, efetivamente, nos mantêm colados aos ecrã.

Stacee Jaxx (Tom Cruise) é a estrela de rock decadente às mãos de Paul Gill (Paul Giamatti), o agente desonesto, tao responsável pela ascensão como pela queda do artista, e a melhor porção desta película. Porque, mas não só, soa bem em Pour Some Sugar On Me e mesmo o Wanted Dead or Alive de Bon Jovi lhe assenta na perfeição. Lamentavelmente, também ele se perde, literal e cenicamente, de amores, por uma jornalista da Rolling Stone, facilmente confundível com uma bibliotecária, Constance Stack (Malin Akerman).

Catherine Zeta-Jones interpreta Patricia Whitmore, a grande mulher que sempre existe por detrás de um Mayor infiel, Mike Whitmore (Bryan Craston), convicta defensora da moral e bons costumes, e uma das vilãs da história em via do seu passado obscuro como groupie de coração ainda partido. Com provas dadas nas artes musicais em Chicago (2002), esta atriz tem uma das prestações mais interessantes, embora demasiadamente superficial, destacando-se com Hit me with your best shot.

Mary J. Bligde (cantora e mentora no programa American Idol) é a anfitriã do Clube de striptease Venus (Justice Charlier), a sonhadora por quem o tempo entretanto passou, e lhe trouxe a sabedoria de compreender que quando não se pode vencer é melhor juntar-se a eles. E nada mais se retira deste cenário que não a ilusão do dinheiro fácil e, algumas vezes, bons momentos musicais e visuais, parentes próximos de Moulin Rouge.

Esta comédia musical, dirigida por Adam Shankman (Hairspray, 2007), conta com um elenco de porte significativo mas desvia-se do seu intento ao apostar no burlesco para as suas personagens. Não nos esqueçamos que esta película foi buscar a sua origem à Broadway, constituindo uma adaptação para o grande ecrã do musical homónimo. E essas raízes estão por demais presentes. No entanto, se por um lado, sim, temos rock, por outro, temos, essencialmente, meninos de coro. E é preciso baixar as expetativas; e partir do princípio que é a banda sonora que conta a história e não as personagens.

Para quem as referências musicais dos anos 80 (Deff Leppard, Foreigner, Journey, Poison, REO Speedwagon, Twisted Sister, entre outros, e alguns temas não necessariamente êxitos desta década, como é o caso de More than words dos Extreme, que integrou o álbum Extreme II: Pornograffitti de 1990) são significativas, não deixa de ser uma viagem agradável à infância musical, com alguns momentos cómicos bem conseguidos, mais pelo caricato do que pelo inteligente. Este filme tem algo de fascinante que nos prende ao ecrã. Mas o gosto por Musicais também dá uma boa ajuda ao espetador.

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Diana Galvão