Review

Atenção: esta crítica contém spoilers em toda a sua extensão

É praticamente impossível um filme ser mau quando o seu elenco é de qualidade, os efeitos especiais entusiasmantes e o seu orçamento é de 200 (!) milhões de dólares. Porém, falta muito para que este Lanterna Verde esteja ao nível dos grandes filmes da DC, como Super-Homem ou Batman.

Hal Jordan (Ryan Reynolds) é piloto de testes, mas muito diferente do seu pai, que morreu há mais de dez anos atrás num voo: irresponsável, é incapaz de aproveitar as oportunidades que lhe dão para provar o seu valor. Quando Abin Sur (Temuera Morrison), o mais bravo dos guerreiros Lanterna Verde (guardiões da paz do Universo), morre em pleno Planeta Terra, o seu anel escolhe Hal como o seu sucessor. Agora, o herói terá de provar a todos de que fibra é feito: ao seu mentor Sinestro (Mark Strong), à bela Carol (Blake Lively), ao maléfico Hector (Peter Sarsgaard) e a ele próprio. Mas convém que consiga fazê-lo bem rápido, pois um mal terrível aproxima-se e ninguém parece ser capaz de derrotar o temível Parallax…

Reynolds aterra neste filme vindo do terreno das comédias românticas (apenas algumas de interesse, como Para Sempre… Talvez e A Proposta), pelo que sair de um registo mais light para um papel mais adulto poderia ser um entrave. Contudo, o actor americano consegue segurar o filme com um desempenho muito seguro, surpreendendo-nos pela positiva.

Lively, o interesse romântico do herói, também não deixa a desejar e mostra por que razão tem entrado recentemente em projectos mais maduros, como A Cidade (grande interpretação) ou Savages. Sarsgaard tamb ém não desaponta e consegue construir um vilão com cabeça, tronco e membros. Em relação a Strong, também uma menção honrosa, pois das únicas vezes em que não é vilão (SPOILER: sê-lo-á se houver um próximo filme), mantém o nível que já lhe é conhecido; para os fãs dos comics, foi mesmo a performance mais fiel ao original.

Os efeitos especiais estão espantosos, sendo dos elementos mais deste filme. Inteligente o “cobrir” a imagem de uma tonalidade esverdeada. A história é interessante, especialmente o início do filme, que nos conta as origens de Hal e nos explica a razão de ele, na teoria, ser a opção mais errada possível para herói.

O grande problema é mesmo a “arrumação” do enredo. Para uma introdução tão longa e tanto tempo de antena para o vilão menor (Hector) e ainda ser credível uma derrota de Parallax às mãos do protagonista, este teria de ser um filme de três horas (pouco viável). Só tem duas, pelo que algo ficou inevitavelmente para o lado. Infelizmente, foi a parte final, pelo que é absurdo pensar que Hal teve tantas dificuldades para derrotar Hector (à volta de uma hora) e bate tão facilmente o grande vilão do filme; mas acontece mesmo isso, com Parallax a ser morto em apenas cinco minutos (se tanto).

Havia duas alternativas: primeiro, encurtar a introdução, deixar Hector ter o destaque que tem e dar maior tempo ao Parallax (ainda assim, com menos do que devia, com certeza); segundo, manter a introdução (que nem é assim tão longa), encurtar (bastante) os actos vilanescos de Hector – de facto, matá-lo logo na altura em que ele assassina o seu pai teria sido ideal – e dar o destaque merecido ao combate contra o grande vilão da obra. A segunda opção seria, sem dúvida, a mais indicada.

Se formos a ver as coisas objectivamente, como é que um Lanterna Verde quase sem treino e que teve tantas dificuldades com um mero lacaio derrota com a maior das facilidades uma criatura a quem os melhores dos melhores foram incapazes de fazer frente?!

Mas é também minha obrigação referir um dos pontos mais positivos deste filme. Uma coisa que me irrita sempre nos super-heróis é o facto de eles, com máscaras que nada ocultam, serem capazes de enganar os melhores amigos sobre a sua identidade. O caso mais gritante é mesmo o do Super-Homem, em que um coracolinho no cabelo e a mera ausência de uns óculos são suficientes para enganar tudo e todos, até mesmo Lois! Aqui, ao menos, mantém-se alguma coerência: basta Carol chegar-se um pouco mais perto do Lanterna Verde para perceber de imediato que este é nada mais, nada menos que Hal.

Apesar de tudo, este é um filme bastante interessante. Os efeitos especiais e a acção constante conseguem manter-nos presos ao ecrã, assim como as interpretações sólidas nos fazem gostar das personagens. Ainda assim, não é suficiente para esquecermos  as falhas graves do argumento e da realização, pelo que o filme não vai além de um desapontante razoável…

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About the Author

Inês Sampaio
Estudante de Tecnologias da Comunicação Audiovisual na ESMAE. Reside actualmente no Porto, Portugal. Amante de cinema, escrita, leitura e futebol. Juntar as suas duas maiores paixões é para si um privilégio, propiciado pela oportunidade única de contribuir para o Mundo do Cinema.